sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Cia ReconTer


Foto histórica da Cia ReconTer no Batalhão de Comando da Divisão Anfíbia.

Fast Hope

Cia Reconter desembarcando de uma aeronave Super Puma utilizando um cabo Fast Hope.

Observe a velocidade do desembarque.

Cia ReconTer usando Submarino como meio de transporte.


Cia ReconTer em missão de infiltração a partir de um submarino

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cia ReconTer em Operações Ribeirinhas.


Cia Reconter em missão de patrulha Ribeirinha.

Cia ReconTer em Itatiaia


Cia ReconTer em Exercício no Parque Nacional de Itatiaia em contato com a neve.

Dois reconterianos sendo extraído por aeronave.


Dois reconterianos sendo extraído por aeronave modelo Esquilo.

Cia ReconTer no movimento navio para terra.


Cia ReconTer no movimento navio para terra utilizando uma EDVP.

Cia ReconTer em posição.



Cia ReconTer aquecendo, com o Cmte à frente. Observa-se o símbolo da Companhia ao fundo.

Cia ReconTer passada em Revista


Cia ReconTer sendo passada em revista.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Balanço da Reconter pelo Cmte Lucio de Almeida


Desde o início na Reconter, nós procuramos treinar e ensinar o nosso pessoal. Quando cheguei, a Reconter quase não fazia reconhecimento, e atuava mais como “Força Inimiga” da DivAnf nos exercícios em Itaoca. Atuava como Infantaria defendendo o terreno. Eles adoravam porque ganhavam muitas diárias (chegavam antes da ForDbq, e partiam depois). Não havia nenhum exercício externo. Por outro lado, a Reconter atraia o ódio dos BtlInf, o que não era confortável. Com algum sofrimento (é muito difícil mexer no bolso, principalmente com nossos baixos soldos) consegui mudar o quadro, e impor exercícios externos para a Reconter. Não conhecia nada de Operações de Reconhecimento, e com a ajuda do brilhante Imediato Comte Cosme, - segundo lugar na sua turma da Escola Naval, salvo engano-, começamos a traduzir os manuais que batiam em nossas mãos. E descobrimos que fora feita uma tradução muito simplista destas operações; creio que julgassem não estarmos à altura da sua execução. O Comte Cosme fez uma tradução exata dos manuais, e começamos a tentar entendê-los, e a tentar praticá-los; iniciamos um exercício noturno toda semana. As equipes Recon são comandadas, na grande maioria das vezes, por Cabos e Sargentos. Os nossos Oficiais eram novatos (“quatis rabudos”). Assim, demos ênfase ao treinamento e à instrução dos nossos líderes. Exigimos que os Cabos assumissem o comando das suas equipes, e que os Sargentos cobrassem deles todas as verificações (de presença, de armamento e munição, de material, etc). E que os Tenentes recebessem as notificações dos Sargentos-Guia dos Pelotões (isto daria mais força, comprometimento, e um moral mais elevado para os nossos líderes. E procuramos ficar mais juntos deles (até mesmo dormindo na mesma barraca junto com os Suboficiais e Sargentos). O melhor método de ensino é o de aprender com os erros. Assim pagávamos a missão e praticávamos muita sabotagem (avariávamos os motores de popa, não dávamos os códigos de rádio, não dávamos hora para o encerramento, etc.). E por ocasião da crítica dos exercícios, estes fatos eram comentados (para a tristeza e para o aborrecimento dos novatos). Procuramos realizar no mínimo um exercício externo, com duração de uma semana, em áreas similares aquelas em que atuaríamos (montanha, selva, mar, etc). Descobrimos uma área em Mangaratiba que era um verdadeiro campo de reconhecimento, possibilitando diversos tipos de atuação (pontes de diversos materiais, taludes, montagem de PVs, dificuldade de comunicações, uma marcha violenta por diversos municípios através montanha e clima frio, operações com aeronaves, natação extrema (cerca de 1 Km) armado e equipado, natação utilitária, lançamento de carga aérea, pistas de primeiros socorros – era exigido em todos os exercícios, assim como as pistas de comunicações, orientação no terreno, e de acuidade auditiva, visual, ótica e tátil (AVOIT). Uma vez por ano fazíamos exercício, com duração de uma semana, na Base Aeronaval de São Pedro D`Aldeia, explorando em toda plenitude a operação com aeronaves; dirigíamos as aeronaves na aproximação final (os Pilotos teriam que confiar no nosso trabalho), inserção de equipes Recon ( a aeronave fazia pousos falsos para enganar a observação inimiga, e possibilitar o sucesso da missão, lançamento de carga aérea, métodos de retirada de equipes Recon em terra e no mar (rapel, Mcguiver ou penca, demarcação de heliponto diurna e noturna para evitar a observação pelo inimigo, etc, etc. E tínhamos um exercício anual em Itatiaia para operações de Montanha e de Clima Frio. Era violento: escaladas, marchas entre municípios, ocupação de PV diurna e noturna ao relento, resgate de feridos, carga de material pesado em montanha, e as sempre presentes pistas de primeiros socorros, orientação, comunicações e AVOIT. Num dos exercícios quase perdemos um Pelotão de Infantaria do Batalhão Humaitá que estava pernoitando no Abrigo Rebouças e foi salvo pelos integrantes de um dos nossos Pelotões que montava um PV do lado de fora para aclimatação ao clima frio; os Infantes tocaram fogo em tudo aquilo que eles conseguiram de madeira, por que não estavam agüentando o frio,e quase morreram sufocados pelo CO2. Noutro exercício tivemos que montar um resgate dificílimo para retirar um soldado de um Batalhão de Infantaria de um dos picos das Agulhas Negras (este soldado, a bordo da aeronave teve paradas respiratórias e cardíacas, sendo salvo pela exata formação do nosso enfermeiro). Assim, ao final de um período de três anos, conseguimos ter, em todos os níveis, a melhor Companhia da DivAnf. Teve uma manobra em Mangaratiba em que o Piloto da aeronave, que veio para o exercício, foi o próprio Comandante do Esquadrão (em algumas manobras aparecia o Imediato do Esquadrão, ou alguma autoridade mais elevada). Num dos eventos, a inserção de uma equipe de reconhecimento, eu lhe disse que o comandante era um cabo, e que caberia a ele fazer um breefing da missão, e perguntei-lhe se ele faria alguma objeção, recebendo o seu afirmativo. O Cabo, se não me engano, era um do Paiol de Material, não diretamente empenhado em operações de reconhecimento (CB Sales? A memória já me falha!). Terminado o breefing, o Comandante do Esquadrão pediu a palavra, e disse que foi um dos melhores breefings de que ele já participara, e melhor do que os breefings feitos por muitos Oficiais. Então eu senti que o comando da Reconter (Imediato, Operações, Pessoal, Comunicações, material, etc) havia feito a opção correta, e que estávamos no caminho certo. Tivemos uma grande preocupação com o nosso pessoal. Como éramos uma Unidade de Elite, eu podia requisitar e escolher aqueles que seriam Guerreiros Recon. Tinha toda a Divisão Anfíbia ao nosso dispor com o aval do Almirante. Como o nosso grupo era pequeno face ao efetivo dos Batalhões, pedíamos humildade o tempo todo, e para que fossem evitadas brincadeiras de mal gosto e exibições indevidas para com os elementos de fora da nossa Companhia. E não tínhamos o mínimo de tolerância com nenhuma infração disciplinar, mau comportamento, atitudes suspeitas, vícios, etc. Tivemos a denúncia de um Cabo que afastou do nosso convívio um Primeiro Sargento (após apuração do Imediato). Dizíamos que a porta da rua estava aberta para aqueles que não atuassem dentro do nosso espírito; ou sairiam de livre vontade (sem nenhuma punição, lançamento, ou informação negativa, nada; apenas sairiam porque não estavam dentro do padrão Recon), ou seriam convidados a sair, inclusive sendo dada a chance de escolher para onde gostariam de servir. Nós acreditávamos que só pelo fato de terem escolhido a Reconter, e passado pela nossa violenta seleção, já era motivo de orgulho para nós, mas que eles não estavam dentro do padrão exigido.  Outra grande preocupação foi a enviarmos o nosso pessoal para cursos de Comanf, Operações na Selva, Montanhismo, Manutenção de Motores de Popa, etc, com enorme sacrifício para os que ficavam porque o nosso efetivo era muito pequeno, mas não abrimos mão de qualificar o nosso pessoal. Como as nossas equipes não podiam contar com elementos de Saúde e de Comunicações, realizamos exercícios contínuos destas modalidades. Buscávamos reduzir o estresse do nosso pessoal ao máximo. Criamos uma caixinha na Companhia (fato proibido em nossas OMs) a pedido de todos e com a concordância de todos, sob a minha responsabilidade, e controle do Imediato e dos nossos Encarregados de Pessoal e do Sargenteante; era feita uma diferenciação para Oficiais, Sargentos e Cabos e Soldados esta caixinha era usada para algum pequeno empréstimo, e era encerrada no fim de cada ano com um grande churrasco para as nossas famílias e alguns convidados especiais. Todo exercício era encerrado com um grande churrasco, algumas vezes com o apoio do Batalhão (eram realizados quatro ou cinco grandes exercícios fora da sede do Rio de Janeiro, o que implicava em enorme dificuldade logística), nas outras vezes com o emprego de uma grande química. Em quase todos os exercícios, principalmente com o apoio do Imediato Comte Vargas, nós elaborávamos o cardápio em que foram introduzidas grandes melhorias no desjejum e nas refeições; também, trabalhávamos em condições de extremo desgaste, em que tínhamos quase sempre de fornecer comprimidos de relaxante muscular, e massagens. Em Mangaratiba facilitávamos uma licença noturna para o nosso pessoal. No Parque Nacional de Itatiaia a noite era livre para o pessoal que permanecia no PC (infelizmente eram poucos, e não havia nada para passeios ou diversão). E conseguimos fincar uma bandeira do nosso PC durante a Operação Dragão, junto com os PCs dos BtlInf! Comandei a Reconter de Janeiro de 1981 (por Portaria do Comandante –Geral do CFN) até 4 de março de 1986, quando assumi a função de Imediato do Batalhão ( e mesmo como Imediato ainda participei de um reconhecimento para uma Operação Dragão ( junto com o CB Marinho e o nosso Monstro). Nos cinco anos em que estive à frente da Reconter, eu tive o privilégio de ter poucas mudanças no meu pessoal. Mas, ainda assim, nós não atingimos um patamar eficiente de atuação. Ainda havia muita coisa para aprender.Falta um curso de Operações de Reconhecimento, a ser realizado no CIASC, dirigido por pessoal cursado no exterior. Faltam equipamentos, armamento, uniformes especiais, rações especiais; atuávamos em clima frio sem nenhum uniforme adequado e apropriado. Equipamentos de Comunicações inadequados, guarnecendo duas redes (para que?), com apenas quatro vigilantes carregando dois pesados aparelhos de rádio- comunicações com quatro pesadas baterias, mais quatro rações de combate por homem ( 4Kg!!). E ainda era exigido carregar um grosso plano de comunicações, com códigos e senhas sendo alterados de hora em hora. E atuávamos contra um inimigo que possuía os mesmos equipamentos, códigos e idioma. Eu quebrei este ciclo usando um mapa para cada equipe Recon, diferente para cada patrulha, onde eu alterava as coordenadas (sempre posicionando as coordenadas no mar), e modificando a identificação das patrulhas (que agora eram Recon02,03, etc, e o meu PC sempre era Recon01). Assim todas as mensagens saiam em linguagem clara (a minha posição é...). E nenhum plano de comunicações era carregado. Encerrando esta  Bem amigos, a Reconter foi a unidade (Sub-Unidade?) em que eu passei o maior tempo da minha vida de Fuzileiro Naval (como Imediato e Comandante – cerca de cinco anos- ainda vivi muito do espírito do pessoal Recon, e ao final do meu comando e da minha vida na MB, pude deixar a Reconter super equipada (várias EDPns nas caixas, GPS, etc.), com grande conforto para todo o seu pessoal (ar condicionado em todas as dependências, bem como equipamentos de som,TV e lazer), com um quartel novo, bem dimensionado, com um camarote e câmara improvisados para o Comandante, com um Paiol de Material bem construído, com lages e local de dormida para o Paioleiro, com um amplo estacionamento para todos ( que serviria como heliponto e local de exercício com aeronaves), e com uma praia só para ela e com fácil acesso. Tudo isto foi construído pelo pessoal da Reconter (sob o comando do brilhante Comte José Jorge), com muito sacrifício e dor, e com um risco só meu (o meu Comando não me deu garantia para as transformações que fizemos com a verba oriunda do EB por ocasião de uma manobra nos morros cariocas). Foi muito complicado devido ao curto espaço de tempo para a comprovação desta verba, e eu pude pegar quase toda a verba porque nossas Unidades a dispensaram.
Infelizmente não dá para colocar tudo neste Balanço. Muito sofrimento, dor, suor, corpos enrijecidos, medo, saudade, frio, resgates e salvamentos, atos heróicos, pessoal capturado em exercícios, etc. Muita coisa ficou para trás. Uma reflexão. Tenho ouvido que a primeira Unidade a ser empregada será o Batalhão de Operações Especiais. Eu discordo veementemente. As primeiras unidades a serem empregadas são e serão sempre as unidades Recon, conforme a doutrina americana (cuja doutrina é seguida pelo nosso CFN), e que direcionou a formação das nossas Unidades. Iniciamos como um Núcleo da Primeira Divisão de Fuzileiros Navais. Uma Divisão de Fuzileiros Navais é composta por três Regimentos de Infantaria e demais apoios, aí incluído um Batalhão de Reconhecimento. O Brasil, pelas nossas dimensões continentais deveria ter duas Divisões de Fuzileiro Navais completas (uma segunda Divisão no Nordeste???). A formação de um Comando Anfíbio traz um grande embasamento para as operações de reconhecimento (como os demais cursos de saúde, de operações com aeronaves comunicações, operações em montanha e na selva, etc.). No entanto, quando um companheiro retornava do curso de COMANF, dizíamos para ele esquecer tudo e voltar ao comportamento Recon. O COMANF vai em grandes grupo barulhentos em sua maioria, rompendo a macega afora, com grande armamento pesado. O guerreiro Recon trabalha em grupos de no máximo quatro vigilantes, com pouco armamento de defesa individual, e tem que trabalhar com muito silêncio nos Postos de Vigilância, agüentando a solidão, agüentando picadas de insetos, rastejando pelas macegas, se locomovendo à noite, não pode usar fogueiras, fogos, nem aquecer a sua ração, porque ele trabalha sempre dentro do território inimigo. Muitos poucos agüentam esta situação. Fechando esta breve reflexão, espero que o Comando- Geral do Corpo de Fuzileiros Navais reveja a organização que retirou a Reconter da Divisão Anfíbia, e caso possível crie um Batalhão Recon; a Companhia isolada nunca irá atingir um estágio de excelência; a sua posição dentro de uma outra Unidade que não tem a ver com o seu emprego ( como no caso do Batalhão de Comando, onde tínhamos que encerrar o adestramento para realizar faxinas, marchas administrativas, paradas, mostras, etc.). O Batalhão Recon poderia permitir o emprego de viaturas blindadas para o reconhecimento de eixos, de aeronaves de observação não tripuladas, bem como a estrutura de apoio de um Batalhão para a guarda do equipamento, montagem e operação de Postos de Comando e acampamentos, serviços de Informações, operações, controle de material, rancho, etc. A Base construída na DivAnf pelos elementos Recon comandados pelo Comte José Jorge já está pronta! Encerrando, se me fosse permitido eu teria encerrado a minha atuação no Corpo de Fuzileiros Navais na Companhia de Operações Especiais de Reconhecimento (para a tristeza e desespero dos Comandantes Cosme, José Jorge, e todos os demais oficiais!!!!). Peço desculpas pelos erros. Esta mensagem está sendo enviada para todos os Guerreiros Recon, e para os meus amigos e colegas de turma.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Postado pelo SO (FN) Caetano (Major)



Essa etapa vc certamente perdeu. Essas placas foram colocadas no mês de Dezembro por uma equipe comandada pelo Comte Lúcio. Essa mesma equipe, foi quem fabricou e pintou as placas e é com orgulho de um reconteriano que afirmo que fiz parte dessa equipe que envolveu também dois civis da região. Um deles é o Braz e ambos são guias de Turismo do Parque de Itatiáia. Chovia muito na ocasião.
Logo após, veio o tal do frio que doía até os ossos. Adsumus!..

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Prova da presença da Cia Reconter no Parque Nacional de Itatiaia

A Trilha Reconter foi criada a pedido da administração do Parque Nacional de Itatiaia porque eles tinham um trilha marcada no mapa da região, mas que não existia mais. Esta trilha era essencial durante os incêndios constante no Parque, em que os Bombeiros chamados tentavam usar esta trilha (única plotada em mapa), mas se perdiam e criavam um outro problema.
O Comando da Divisão Anfíbia autorizou a abertura desta trilha por uma equipe da Companhia ReconTer, que foi reforçada com Topógrafos do Batalhão de Artilharia de Fuzileiros Navais (para que seguisse com precisão a trilha demarcada no mapa). À trilha foi atribuída a nomeação Trilha ReconTer em homenagem do Parque Nacional de Itatiaia.
(contribuição do Cmte José Jorge).

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Depoimento do CMG Ref (FN) Lucio Almeida






Na foto da esquerda o então CB-CN (FN) Lepoldo e na direita o então CT (FN) Lucio, no CIGS, quando da realização do Estágio Especial de Sobrevivência na Selva. Aparece também o então diretor do CIGS e as onças. Neste curso, também participaram vários elementos da Cia Reconter, como o Cmte Cangellar, SG-EF (FN) Anhaias e outros.

Depoimento do CMG (FN) Lucio Almeida, ex-Comandante da CiaReconter:
Meus Queridos,
Esta mensagem está de acordo com aquilo que eu sinto. A pressa da vida me fez errar muito , e não dar valor aquilo que merecia! Para aqueles que conviveram comigo na RECONTER testemunharam a minha luta para manter a nossa equipe coesa. Testemunharam as minhas brigas para manter a nossa equipe unida. Testemunharam os esforços que fiz para tentar manter a felicidade do nosso grupo com licenças, festas, churrascos, etc; não obstante as ameaças que pairavam sobre a minha cabeça.
Mas eu não me perdoô pela minha falta de iniciativa, quando não promovi justiça aos nossos companheiros que mereceram um tratamento de heróis, e que eu, pela minha falta de experiência, ou de competência, achei que tudo não passou de um fato normal em nossas vidas. Pela dureza da minha vida, achava que tudo era muito normal.

Agora o meu MEA CULPA :
1.- Enviei uma equipe para uma ilha em frente a praia de Itaoca, sob o comando do Cabo Leopoldo. O Cabra deveria manter vigilância sob uma estação de radar do inimigo. Nesta missão, muito elogiada pelo nosso escalão superior, a equipe teve que se manter acordada o tempo todo, em pé, e pisando sempre num milhão de baratas.

2.- Em um acampamento em Ribeirão das Lages, tivemos um lance em que um Fuzileiro trepou numa torre da Light, sofreu um choque de milhões de volts, e despencou de cima da torre. Quando estava chegando ao solo, o Cabo Leopoldo, o mesmo Cabra, correu em sua direção, deu um golpe de judô na sua cabeça, e conseguiu salvar a vida do nosso companheiro. Infelizmente este fato chegou ao meu conhecimento, mas eu, na minha infinita ignorância, o considerei normal, e não tomei nenhuma providência.

3.- Um helicóptero caiu numa operação Dragão na Bahia. Uma equipe Reconter escutou o barulho da queda da aeronave, e correu para o local. Na área , uma verdadeira tragédia: helicóptero avariado, pilotos feridos, um Tenente do Batalhão de Operações Especiais morto, etc, etc,. Quem estava à testa da equipe Recon? Quem falou no Cabo Leopoldo, o Cabra, acertou. Nesta ocasião eu era o Imediato do Batalhão de Comando da Divisão Anfíbia, e me vi às voltas com uma série de providências ( resgatar o corpo do Tenente, providenciar a autópsia, providenciar uma missa no local, providenciar o translado do corpo para o Rio de Janeiro, etc, etc,. E novamente achei tudo normal!! Aqui aparece a figura do Tenente Maia Neto que teve que assumir todas as tarefas que eu citei acima, tendo que tirar um Juíz da sua casa à noite, para assinar o Atestado de Óbito, forçar a abertura do Hospital para a reconstrução do corpo (o Maia Neto teve que ajudar a costurar os pedaços do corpo do Tenente).

4.- Operação em Itatiaia. Um Soldado do Batalhão Humaitá teve uma crise nervosa, e ficou agarrado numa rocha de difícil acesso. Foi montada uma verdadeira operação para resgatá-lo num ponto em que apenas um militar poderia chegar perto dele. Depois de muita luta, o soldado foi resgatado, e um helicóptero foi acionado, sob o comando do Comandante Sampaio, pairando com apenas um dos patins na rocha. Durante o sobrevôo, o soldado teve duas paradas cardíacas e uma parada respiratória, sendo socorrido pelo Suboficial Monteiro. A aeronave aterrissou na estrada que leva ao Parque Nacional de Itatiaia, o Comandante Sampaio parou uma Kombi que transportava queijos, e o soldado foi resgatado junto com o Suboficial Monteiro para o Hospital Militar de Itatiaia, e foi salvo.

5.- Operação em Itatiaia (a mesma). No abrigo Rebouças estava um Pelotão do Batalhão Humaitá, que acompanhava o exercício da Reconter para a familiarização em Operações de Montanha. O Pelotão foi alojado no Abrigo Rebouças para passar a noite em segurança. Ao relento, para aclimatização em operações em clima frio, estava um Pelotão da Companhia Reconter. A noite já ia avançada, quando um elemento da Reconter estranhou o silêncio dos Fuzileiros do Batalhão Humaitá que estavam no Abrigo. Antes, eles estavam muito contentes, cantando, e falando alto. Quem foi que notou o procedimento estranho? Quem falou que foi o Cabo Leopoldo, o Cabra, novamente acertou! Bem, a equipe Recon correu para o Abrigo, e notou que o Pelotão todo estava desmaiado;... para aliviar o frio, eles queimaram tudo aquilo que encontraram, mas mantiveram as janelas fechadas. Eles abriram todas as janelas, e chegaram a socorrer alguns com a respiração artificial. Infelizmente, ao tomar conhecimento posterior dos fatos, achei que tudo estava normal.

Bem, não sei se isto dá para aliviar a minha barra. Apenas quero dizer algo que nunca disse antes: vocês foram muito importantes na minha vida e na vida da minha família. Eu tenho uma grande convicção de que a maioria de vocês sabe disso. Para aliviar um pouco a minha culpa de não ter tentado realçar os nossos heróis, eu quero afirmar que eu fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance para trazer o máximo de conforto para toda a Companhia Reconter. E aproveito a oportunidade para agradecer todo o empenho, toda a dedicação, todo o carinho que me vocês me prestigiaram, e que vocês sempre estarão na minha lembrança, nas minhas orações, e no meu coração.
Relembrando: A HORA É SEMPRE ANTES DA HORA; QUEM ESTÁ NA HORA ESTÁ ATRASADO!
O IMPOSSÍVEL FAZEMOS AGORA. MILAGRE DEMORA UM POUCO MAIS!